Ciclo de debates terá ainda participação de nomes como os cineastas Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho, o ator Gregorio Duvivier, o médico-escritor Carlos Roberto Ferriani, a professora ribeirão-pretana Elaine Assolini, o físico Marcelo Gleiser, entre outros

 

Marcelo Gleiser

 

Diferentes utopias estarão em debate durante a 20ª FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto) e nortearão os encontros do Salão de Ideias com atividades que compõem a agenda desta edição histórica do evento que, neste ano, tem como tema central “Velhas e Novas Utopias”. O evento literário acontece entre os dias 21 e 29 de agosto, com cerimônia de abertura no dia 20 (sexta-feira), em formato 100% on-line em função da pandemia do coronavírus. A proposta dos organizadores da Feira do Livro é levar para os encontros do Salão de Ideias um diverso conjunto de participantes, mas que têm a veia literária em comum, reunindo conversas sobre política, meio ambiente, educação, cinema e literatura.

 

Escolhido como embaixador desta 20ª edição, o escritor araraquarense Ignácio de Loyola Brandão abre a programação da FIL e estreia o Salão de Ideias, no dia 21 de agosto, às 13h, comemorando os 40 anos de lançamento do premiado romance “Não Verás País Nenhum”, um de seus maiores sucessos, lançado em 1982.

 

Ignacio de Loyola Brandão

 

Jornalista e escritor – com 46 livros publicados entre romances, contos, crônicas, infantis, viagens, reportagens e uma peça teatral - atualmente é cronista quinzenal do jornal O Estado de S.Paulo. Com seis Jabutis na carreira e o maior prêmio da literatura, o Machado de Assis (2016), Ignácio de Loyola Brandão pertence ainda às Academias Paulista (Cadeira 47) e Brasileira de Letras (Cadeira 11). A mediação será feita pela pedagoga Laura Abbad.

Logo após a abertura com o escritor, o patrono da FIL, Paulo Roberto Oliveira, conversa com os internautas, às 14h, sobre o tema “Utopia da água potável”. Paulo Oliveira é presidente da GS Inima Ambient, apoiadora da FIL desde 2016. A empresa é pioneira em sustentabilidade com produção própria da energia utilizada em sua estação de esgotamento sanitário.

 

 Paulo Roberto

 

O Salão de Ideias encerra a programação do dia 21 de agosto com a participação de Carlos Berriel e Evanir Pavloski, comandando o debate sobre “Utopia”, de Thomas More, às 18 horas.

 

 Carlos Berriel

 

Considerado um dos grandes humanistas do Renascimento, o inglês Thomas More - filósofo, advogado, escritor, político - é autor de “Utopia”, livro clássico que trata de exploração econômica por quem domina o poder.  Carlos Berriel é professor de Teoria Literária na Unicamp, editor da revista Revista Morus – Utopia e Renascimento e coordenador do U_TOPOS – Centro de Estudos sobre Utopia da Unicamp. Evanir Pavloski é Doutor em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná, pós-Doutor em Teoria Literária pela Universidade de Campinas e professor do Departamento de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

 

 Evanir Pavloski

 

No domingo, dia 22 de agosto, às 18 horas, o ator, humorista, roteirista e escritor brasileiro, Gregorio Duvivier, também estará na feira e participa do encontro “Entre uma poesia e outra, muitas utopias”. A mediação do bate-papo será feita pelo escritor João Augusto. Gregorio Duvivier ficou conhecido pelo seu trabalho no cinema e no teatro e, a partir de 2012, destacou-se como um dos criadores das esquetes do canal Porta dos Fundos, no YouTube.

 

 Gregorio Duvivier

 

A educação segue como temática do Salão de Ideias no dia 25 de agosto (quarta-feira), às 16h30, quando a professora ribeirão-pretana Elaine Assolini - uma das homenageadas da FIL 2021 - coloca em cena a questão: “as Utopias da Educação”. Formada em Pedagogia e Letras, Elaine Assolini atua no ambiente universitário há 25 anos, mas guarda experiências também no ensino fundamental e médio.

 

 Elaine Assolini

 

No dia seguinte, 26 de agosto, às 16h30, o escritor carioca Jessé Andarilho desembarca no evento trazendo um pouco da história de sua trajetória pessoal e como a literatura mudou a sua vida. Jessé Andarilho é escritor, roteirista, palestrante, produtor cultural, presidente do Centro Revolucionário de Inovação e Arte (CRIA) e criador do projeto marginow.

 

 Jessé Andarilho

 

No dia 27 de agosto, sexta-feira, às 16h30, os cineastas Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles comandarão o Salão de Ideias com a temática “Utopias e distopias em Bacurau”. Um dos mais premiados filmes brasileiros recentes, Bacurau, conquistou belas avaliações de público e da crítica especializada no Brasil no exterior.

 

 Kleber Mendonça Filho

 

Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco, Kleber Mendonça Filho foi responsável pelo setor de cinema da Fundação Joaquim Nabuco durante 18 anos. Escreveu para a Revista Continente, Folha de S. Paulo e Jornal do Commercio, no Recife. É diretor artístico do Janela Internacional de Cinema do Recife e curador do departamento de cinema do Instituto Moreira Salles. Seus curtas metragens (Vinil verde, Eletrodoméstica, Recife Frio) receberam mais de 100 prêmios no Brasil e no exterior. Juliano Dornelles começou sua carreira na publicidade e debutou no cinema, dirigindo o curta-metragem Biodiversidade (2005), ao lado de Daniel Bandeira. Começou a se destacar a partir de seu trabalho em Amigos de Risco (2007), drama no qual atuou como diretor, roteirista e designer. A dupla dirigiu o longa Bacurau, que estreou na competição do Festival de Cannes em maio de 2019 e ganhou o Prêmio do Júri, além do longa Aquarius (2016), que também estreou na competição do Festival de Cannes e distribuído em mais de 100 países.

 

No sábado, dia 28 de agosto, quem participa é a educadora social Bel Santos, a partir de 13h. A conversa é sobre “A literatura como direito humano: utopia?”. Criadora do projeto Biblioteca Caminhos da Leitura, que promove leitura em espaços que vão de maternidade a cemitérios, Bel Santos é coordenadora do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (Ibeac).

 

 Bel Santos

 

No mesmo dia, o médico ribeirão-pretano Carlos Roberto Ferriani - também homenageado nesta FIL – marca sua presença no Salão de Ideias “Palavras que sou”, às 18h. Autor de três livros (dois de poesia e um romance), Ferriani ocupa cadeira na Academia Ribeirãopretana de Letras e na Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto, além de ser membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores.

 

 

O físico Marcelo Gleiser encerra o Salão de Ideias da Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto 2021, no dia 29 de agosto, a partir de 16h30 com o tema: A utopia é uma verdade?. Também astrônomo, escritor, professor e roteirista, Gleiser foi conselheiro geral da Sociedade Americana de Física e é ganhador de dois prêmios Jabuti. A mediação é de Fernanda Brando, professora do Departamento de Biologia da USP Ribeirão Preto.

 

“Com essa primeira edição internacional, a organização da FIL estende a possibilidade de participação e interação ao público de internautas de todo o Brasil e exterior, por meio do acesso on-line e gratuito”, afirma a presidente da Fundação do Livro e Leitura, Dulce Neves. Segundo ela, para estes encontros do Salão de Ideias, a programação do evento selecionou escritores e profissionais que se destacam no eixo cultural mundial.

 

Considerada a segunda maior feira do livro a céu aberto do Brasil e uma das maiores da América Latina, a FIL terá toda programação exibida virtualmente por meio da plataforma oficial da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, entidade organizadora do evento: www.fundacaodolivroeleiturarp.com.

 

Com 21 anos de história e 19 edições realizadas, a Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto já reuniu mais de 3 mil escritores e artistas, com 6 milhões de leitores visitantes. Em 2021, o evento terá cerca de 60 atividades, durante 10 dias, e em torno de 110 horas de programação.

 

SERVIÇO

DIA 21 DE AGOSTO (sábado)

Ignácio de Loyola Brandão (com mediação de Laura Abbad)

Horário: 13h

Tema: Comemoração aos 40 anos de lançamento do romance “Não Verás País Nenhum”

 

Paulo Roberto Oliveira (presidente da GS Inima Ambient)

Horário: 14h

Tema: “Utopia da água potável”

 

Carlos Berriel e Evanir Pavloski

Horário: 18h

Tema: “Utopia, de Thomas More”

 

DIA 22 DE AGOSTO (domingo)

Gregorio Duvivier (com mediação de João Augusto)

Horário: 18h
Tema: “Entre uma poesia e outra, muitas utopias”

 

DIA 25 DE AGOSTO (quarta-feira)

Elaine Assolini

Horário: 16h30

Tema: “As Utopias da Educação”

Professora homenageada

 

DIA 26 DE AGOSTO (quinta-feira)

Jessé Andarilho

Tema: vida e obra

Horário: 16h30

 

DIA 27 DE AGOSTO (sexta-feira)

Juliano Dornelles Kleber Mendonça Filho

Horário: 16h30

Tema: “Utopias e distopias em Bacurau”

 

DIA 28 DE AGOSTO (sábado)

Bel Santos

Horário: 13h

Tema: “A literatura como direito humano: utopia?”.

 

Carlos Roberto Ferriani

Horário: 18 horas

Tema: “Palavras que sou”

Escritor homenageado

 

DIA 29 DE AGOSTO (domingo)

Marcelo Gleiser (mediação de Fernanda Brando)

Tema: “A utopia é uma verdade?”

Horário: 16h30

 

20ª FIL – FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO DE RIBEIRÃO PRETO

A 20ª edição da FIL - Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto será realizada integralmente no formato on-line, entre os dias 21 e 29 de agosto, com cerimônia de abertura no dia 20. No ano passado, o evento foi adiado em função do avanço do Coronavírus (Covid-19) no país, mas foi anunciado com abrangência internacional a partir da sua 20ª edição. Por isso, recebeu recentemente nova nomenclatura e teve identidade visual reformulada.

Para 2021, diante da continuidade da crise sanitária, a decisão estratégica da organização do evento convergiu para realizá-lo no ambiente virtual, com transmissão ao vivo pela plataforma oficial da Fundação: www.fundacaodolivroeleiturarp.com  e  pelas redes sociais da instituição.

A Feira consagrou-se como um dos maiores eventos culturais do país: com 20 anos de história e 19 edições realizadas, já reuniu mais de 3 mil escritores e artistas com 6 milhões de leitores visitantes. Neste ano, a FIL contará com cerca de 60 atividades, durante 10 dias, e em torno de 110 horas de programação.


Sobre a Fundação

A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos. Trata-se de uma evolução da antiga Fundação Feira do Livro, criada em 2004, especialmente para realizar a Feira Nacional do Livro da cidade. Hoje, é considerada a segunda maior feira a céu aberto do país.

Com uma trajetória sólida e projeção nacional e agora internacional, ao longo de 21 anos, a entidade ganhou experiência e, atualmente, além da Feira, realiza muitos outros projetos ligados ao universo do livro e da leitura, com calendário de atividades durante todo o ano. A Fundação se mantém com o apoio de mantenedores e patrocinadores, com recursos diretos e advindos das leis de incentivo, em especial do Pronac e do ProAc.

Para acompanhar, basta acessar as redes sociais da Fundação do Livro e Leitura:
Instagram (@fundacaolivrorp)
Facebook (https://www.facebook.com/fundacaolivrorp)
Linkedin (fundacaolivrorp)
Twitter (@FundacaoLivroRP)
Youtube (FeiraDoLivroRibeirao)
Plataforma www.fundacaodolivroeleiturarp.com

Anúncio sobre essa parceria será realizado na terça-feira, dia 3 de agosto, às 10h, no IRCAD em Barretos com transmissão on-line

 

Na próxima terça-feira, dia 3 de agosto, às 10h, a Rede Savegnago de Supermercados e o Hospital de Amor de Barretos apresentam a parceria com a campanha Corrente de Amor, do ApCap do Bem. 

 

 

O objetivo é fomentar doações ao Hospital de Amor de Barretos, que atua com o tratamento, prevenção, reabilitação e pesquisa relacionados à área oncológica no Brasil.

 

A parceria com o Savegnago é celebrada como um importante peso à campanha por a rede alcançar mais de 5,5 milhões de habitantes nos 17 municípios que compõem sua área de atuação, aumentando a possibilidade de angariar mais doações para manter os serviços prestados pelo Hospital de Amor à população brasileira.

 

 

Hospital de Amor

Com mais de 58 anos de história e reconhecimento por sua excelência em tecnologia e cuidado humanizado, o Hospital de Amor conta atualmente com mais de 5,3 mil colaboradores e 380 médicos atuando em suas dezenas de unidades de tratamento, prevenção, reabilitação e pesquisa, relacionadas à área oncológica, espalhadas pelo Brasil. Em 2020, o hospital atendeu mais de 225 mil pacientes e promoveu mais de 910 mil atendimentos em 2.360 localidades, tudo de forma 100% gratuita.

Savegnago

Fundada há 45 anos, a Rede Savegnago conta, atualmente, com 50 lojas em 17 cidades, quatro postos de combustível, dois centros de distribuição e um moderno centro administrativo na cidade de Sertãozinho, matriz do grupo, que juntos geram mais de 10 mil postos de trabalho. Atualmente, o Savegnago está em 1º lugar no interior paulista, 7º no estado de São Paulo e 13º lugar do Brasil no quesito faturamento, de acordo com o ranking da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS).

 

Savegnago e projetos sociais

Preocupada com o desenvolvimento das regiões e das comunidades onde está inserida, a rede Savegnago contribui com diversos programas sociais e ambientais. O grande destaque é sua atuação como mantenedora da Instituição Aparecido Savegnago, que atende crianças e adolescentes de Sertãozinho e do distrito de Cruz das Posses, que participam de cursos de violino, violoncelo, viola, contrabaixo, clarinete, flauta, saxofone, trompa, trombone, trompete, violão, teoria da música, canto coral, teatro, dança, ética e cidadania e artes plásticas, além de saúde da criança, que é realizado por uma psicóloga.

 

Além disso, todos os anos, os cupons promocionais das campanhas da rede Savegnago são revertidos em doações às entidades assistenciais dos municípios onde possui lojas. Atualmente, está em vigor a campanha de aniversário "Vamos Celebrar a Esperança", que distribuirá mais de R$ 1,5 milhão em prêmios, incluindo 72 vale-compras no valor de R$ 5 mil para instituições.

Série de três vídeos, disponível no YouTube, mostra vida e obra do maior poeta negro brasileiro vivo, hoje com 94 anos de idade, considerado símbolo de enfrentamento e resistência na luta contra o racismo

 

Comparado por críticos e estudiosos a grandes nomes da poesia, como Castro Alves e Carlos Drummond de Andrade, Carlos de Assumpção é ícone da representatividade da cultura e da luta da população negra brasileira contra o racismo e todas as suas formas de preconceito e opressão. Considerado um poeta invisível, por não ser conhecido do grande público, a obra do artista transcende tempo e espaço e expõe em versos e prosas a dura realidade dos negros no país. Aos 94 anos, o “poeta griot” tem sua vida e obra homenageadas em um documentário de três episódios, produzido pelo Sesc Ribeirão Preto e lançado no canal do YouTube (YouTube.com/sescribeirao).

 

“A raça negra é tão espezinhada, posta para trás, tem que lutar, e muito, para vencer na vida. É uma vida de luta. O negro brasileiro tem que lutar muito para conseguir alguma coisa. E, mesmo conseguindo alguma coisa, ainda tem que vencer barreiras. Sempre. Mas a gente tem um espírito de luta, desde a infância”, diz Carlos de Assumpção, no vídeo.

 

Para Vitor Hugo Vieira, programador de Turismo, Literatura e Diversidade do Sesc Ribeirão, o lançamento do documentário é uma justa homenagem e reconhecimento à contribuição que Carlos de Assumpção deu, e ainda dá, ao engrandecimento das artes literárias e a cultura como um todo no país. “Nada, a não ser o racismo estrutural instituído no Brasil, poderia justificar o apagamento continuado deste poeta até seus 94 anos”, diz.

 

Consagrado como o maior poeta negro brasileiro vivo, Carlos de Assumpção nasceu em 1927 em Tietê (SP). Mudou-se para Franca, no interior de São Paulo, em 1969, adotando a cidade como ponto de resistência e produção para sua vasta obra literária. É neto de Cirilo Carroceiro, que deixou de ser escravo pela Lei do Ventre Livre, assinada pela Princesa Isabel e promulgada em 28 de setembro de 1871, libertando todos os filhos de mulheres escravas nascidos a partir de então.

 

O avô, analfabeto, era quem contava histórias testemunhais sobre a escravidão, e servia de contraponto para o garoto que lia uma história diferente nos livros didáticos, uma versão imposta por uma narrativa eurocêntrica dos processos de colonização das Américas. Entendedor da força da palavra, o poeta é uma voz forte na luta contra o racismo, uma referência na obra de resistência negra no Brasil.

 

Apesar de ser um decano da literatura afro-brasileira, Carlos de Assumpção estreou em publicação individual somente em 1982, aos 55 anos, com o livro “Protesto”. Nas décadas seguintes lançou mais quatro volumes de poemas (“Quilombo”, 2000; “Tambores da Noite”, 2009; “Protesto e Outros Poemas”, 2015; “Poemas Escolhidos”, 2017). Já a obra “Não Pararei de Gritar” reúne sua poesia completa: os cinco livros mais outros nove poemas inéditos, escritos entre 2018 e 2019.

 

“Saibam que minha luta está enraizada na luta dos meus avós. E também saibam que minha luta não é só minha. É luta de todos nós. Ontem lutaram comigo nos quilombos índios e brancos pobres, irmãos explorados também. Meu quilombo de hoje não é diferente dos quilombos do passado. Nas lutas contra a injustiça. Nas lutas contra a discriminação. Ninguém pode ser injustiçado e discriminado. Quem ame realmente a liberdade. Quem realmente seja irmão. Quem tenha realmente amor no peito. Me dê a mão. Junte-se a minha voz. E meu quilombo de hoje é igual aos quilombos do passado. É quilombo de todos os oprimidos. É quilombo de todos os explorados. É quilombo aonde todos são bem-vindos. É quilombo de todos nós.”

 

É com versos como este, do poema “Minha Luta”, declamado no documentário, que o poeta griot expõe seus sentimentos. Expressa a verdade sobre o preconceito velado e os olhares obscuros que a sociedade lança sobre a população negra, sempre com desconfiança e prejulgamento.

 

“A poesia, para mim, em primeiro lugar é um desabafo. É abrir os olhos das pessoas para os problemas que nos cercam. É incentivo, é tudo, é vida”, diz o poeta, no vídeo.

 

Segundo Vitor Hugo, os griots (contadores de histórias, músicos, conselheiros, oradores, entre outros) são considerados personagens fundamentais das civilizações africanas. Eles têm o compromisso de preservar e transmitir histórias, fatos históricos e os conhecimentos e as canções de seu povo na África Ocidental, mantendo a tradição de uma comunidade viva, perpassando gerações para a sua ancestralidade.

 

“Consideramos o escritor Carlos de Assumpção um griot, que se inspira nas histórias contadas pelos seus antepassados para escrever seus textos e poemas. Histórias do período escravocrata e do pós-abolição. Esse contexto histórico deixou marcas tão profundas que são sentidas até hoje, no preconceito e na discriminação racial, fato que motiva ainda mais a luta e militância do poeta no combate ao racismo”, diz Vitor Hugo.

 

Como professor, Carlos de Assumpção é um defensor da educação. Ele luta para que seja cumprida a lei 10.639/03, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, na qual foi incluída no currículo escolar a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira" nos componentes curriculares de Educação Artística, Literatura e História, alterada pela Lei 11.645/08, que inclui "História e Culturas Indígenas".

 

“A luta do poeta, que transparece na sua fala e suas obras, é contra essa legitimação de nossa sociedade como elitista e excludente, que menospreza a história dos africanos, afrodescendentes e indígenas. Mesmo com a grandeza da sua obra, ele é considerado um poeta invisível, uma vez que seu trabalho não é conhecido do grande público. Com 94 anos, ele usa os meios digitais para ajudar a espalhar suas palavras e poesias, enviando para seus contatos no WhatsApp um poema ou trechos de suas obras”, diz Vitor Hugo.

 

O vídeo

O documentário “Carlos de Assumpção, o poeta griot” lançado pelo Sesc Ribeirão tem como objetivo o registro da vida e realizações do poeta, suas produções e trabalhos até o momento. A ideia da série era acompanhar cenas do cotidiano do autor, mas devido às restrições impostas pela pandemia, o roteiro foi adaptado.

 

“Para gravar durante a pandemia, a equipe seguiu todos os protocolos de segurança e com acesso remoto. Os equipamentos foram enviados para a residência do escritor e as captações contaram com o auxílio da família - que reside com ele, e com o apoio à distância do técnico audiovisual”, explica Vitor Hugo.

 

O resultado é um monólogo em formato intimista, recheado de poesia e música com batuque, com uma linha narrativa a partir da expressão comumente utilizada por Carlos de Assumpção: “Quando o poeta acorda”. São opiniões sobre racismo, família, escravidão, democracia, educação, juventude, amor, samba, candomblé, sonhos e futuro, histórias da sua vida e poesias declamadas, como a “Zé Tambor”, descrita abaixo.

 

“Ei, você aí, Zé Tambor. Parado na frente do cinema. Na frente do banco. Na frente do supermercado, Zé Tambor. Cuidado. A injustiça ronda as ruas da cidade, Zé Tambor. A morte é irmã gêmea da vida, Zé Tambor. Lá vem o carro de fogo. Lá vem os homens de olhos de fogo. Com as armas de fogo nas mãos. Cuidado, Zé Tambor. Cor suspeita de carvão”.

 

Serviço

Documentário ‘Carlos de Assumpção, o poeta griot’

Onde assistir: canal do Sesc Ribeirão no YouTube - https://www.youtube.com/playlist?list=PLSQPgUA8X-xxjp5C4h0pSPBlSe-UCy9pH

 

FICHA TÉCNICA

Realização: Sesc Ribeirão Preto

Apresentando: Carlos de Assumpção

Participação percussão: Luciano Soares

Agradecimento: Lourdes Nascimento

Direção: Leo Otero

Imagens e entrevista: Leo Otero

Assistência e roteiro: Sheila Brandão

Iluminação: Michel Masson

Edição e legendas: Raíza Ferreira

Ilustração: Lucas Frischa

Animação: Willian Calegaro

01 jul/21